A DUQUESA DOS CAJUS – Uma parceria Instituto Memorial x Circus Produções

Don Antonio é o pseudônimo artístico de Antonio Gomes dos Santos, que já foi Toinho dos Santos, contaminado pelo teatro pelas mãos do amigo José Francisco Filho, lá pelos idos da década de 70, quando este dirigiu um dos maiores grupos de teatro amador de Pernambuco, o TUCAP.

Antes do teatro, Don Antonio fez parte de uma banda de baile de Boa Viagem, OS ALFAS, tempo em que as músicas que embalavam as noites dos sábados à noite eram exclusivamente instrumentais, pois não existia som de qualidade para voz.

Toinho dos Santos, quando fez parte do Tucap, queria que por queria ser autor e, quem sabe, até diretor de teatro, mas não sabia escrever, coisa resolvida por influências do também autor de teatro, Alcides do Albuquerque do Ó (O Tucap montou uma peça sua, Eva sem Adão, antes de Zé Francisco), que, embora com medo de perder o amigo, revisou cerca de 100 páginas de poesia suas. Alcides fez um trabalho e tanto: conseguiu salvar cerca de 10 páginas, transformadas no primeiro livro de poesias, BOI BUMBÁ.

O colega Tonico Aguiar até que foi muito generoso, vendo algum talento no primeiro texto para teatro, No Poço das Águas Perfumadas, que teve um destino ideal: o lixo. Também, com esse título…

Don, na época Toinho, deveria não ter muito talento como ator, embora fizesse as preparações de ator com Zé Francisco, pois este sempre achava alguma coisa para ele fazer: assistente de produção, assistente de diretor,  cenógrafo, sonoplasta, diretor musical, compositor etc e tal, mas atuar que era bom (ruim), nada! Chegou a ensaiar a segunda versão d’A Barca d’Ajuda, montada por Zé, pelo Tucap, mas o então reitor da Unicap, vetou o projeto.

Mesmo assim, quando Zé saiu do Tucap, de vez em quando chamava Toinho para fazer alguma coisa no teatro, mas nunca ser ator.

Mas Don não desistiu. Em 1981 botou na cabeça que iria escrever uma peça de teatro. Já tinha editado dois livros de poesias. O teatro estava engasgado no dedo. Assim, decidiu fazer uma adaptação para o teatro de um livro preferido seu e de muita gente: A Revolução dos Bichos, de George Orwell, que, entre outras coisas, satiriza o comunismo.

A adaptação foi tão boa, que não teve nada a ver com o projeto original, e, assim, saiu a comédia satírica Esquerda, Direita, Volver, escrita e produzida por Don (com cenários seus) e direção de José Lopes. Era o fim da ditadura militar, com a peça passando dois meses em cartaz no Teatro do Derby, vizinho ao… Quartel do Derby!

Mas Don não desistiu. Em apenas um sábado, impressionado com uma reportagem na revista Veja, escreve a peça O MANIPULADOR (inédita), que foi reescrita sob orientação do diretor Joacir de Castro. A peça seguinte, CHAMA, CHAMA, NINGUÉM ATENDE, foi produzida e encenada pelo ator e diretor Henrique Amaral.

Mesmo assim, um dia se junta a Zé Francisco e Astrogildo Santos, e, juntando as três produtoras (que as amigas de teatro denominavam de AS TRÊS MARIAS…), realizam vários espetáculos, inclusive produções executivas para atores globais.

Chateado com a falta de união do pessoal de teatro local, cooptados pelo mistificador Jomard Delaney Muniz, faz um juramento de nunca mais fazer teatro nos teatros oficiais do Recife, e, somente em 1993, convidado por um colega da Rádio Cidade, onde trabalhava, Tony Santos, vai fazer teatro num colégio de gente rica em Boa Viagem, e cria o GRUPO DE TEATRO GEO.

Lá escreve, produz e dirige as peças BRASIL À VISTA e COMÉDIA DA VIDA ADOLESCENTE. Como tem horror aos teatros feitos nas escolas, coisas infantis mesmo, dá uma conotação profissional à montagem e uma exigência: fazer teatro nos teatros. Hoje, algumas ex-alunas suas estão no mercado de trabalho.

No fim do século passado, convidado por uma ex-aluna, a Daniela Loureiro, dirige a peça VAGAS PARA MOÇAS DE FINO TRATO,  para o Grupo de Teatro da AESO, em Olinda.

Zé Francisco o convida para fazer a Direção Musical de CASTRO ALVES DO BRASIL, que faz excursão para Brasilia e interior de Pernambuco.

Em 1994, junto com vários colegas, monta o Instituto Memorial Pernambuco de Arte e Cultura, do qual é um dos diretores (e fez questão de não ser o presidente), criando o projeto Memorial Pernambuco, cujo site hoje tem 2.500 verbetes e mais de 3.000 ilustrações.

Hoje, por causa do Memorial, está se especializando em História de Pernambuco, cuja pesquisa o deixa cada vez mais impressionado com a grandeza de nosso estado.

Ah! Nas horas vagas, é profissional de comunicação, diretor de vídeo, roteirista e um bocado de coisas que se mete a fazer.