Memorial Pernambuco – Cultura, História e Arte

Desejando acelerar o ritmo da colonização das terras brasileiras, D. João III resolve introduzir um novo sistema político-administrativo, que recebeu o nome de Capitanias Hereditárias. Através deste sistema, pretendia o rei de Portugal executar um rápido desenvolvimento da colônia com um mínimo de desgaste dos cofres reais, pois caberia a cada Donatário (nobre português que recebia a doação de um lote de terra ou Capitania) arcar com todas as despesas para explorar e colonizar a capitania mediante a concessão de alguns direitos aos Donatários tais como o de ministrar justiça, distribuir terras aos colonos, arrecadar os impostos e fundar povoações e vilas, esperava o rei que eles contribuíssem para o rápido povoamento do litoral brasileiro, a fim de impedir a invasão por piratas e corsários nos seus portos ou praias. Dando continuidade ao seu plano, D. João III inicia a primeira fase das doações, que vai de 1534 a 1536, compreendendo as primeiras quatorze Capitanias Hereditárias no Brasil. Falaremos da Capitania de Pernambuco ou Nova Lusitânia. A Capitania de Pernambuco ou Nova Lusitânia, com 60 léguas, localizava-se compreendida entre os rios Igaraçu e o São Francisco. E foi concedida a Duarte Coelho, navegador e soldado da Ásia. Pernambuco foi uma das duas Capitanias que obtiveram um relativo êxito. Com o êxito de duas capitanias, o Rei de Portugal continuou com o sistema e criou o Governo Geral. Em Pernambuco, se estabeleceram vários engenhos, onde a cana de açúcar era o principal produto na lavoura e a mão de obra era escrava. Criou-se a sociedade açúcareira dos grandes latifundiários da cana de açúcar.

O DOMÍNIO HOLANDÊS

Com o domínio espanhol sobre Portugal, entre 1580 e 1640, e a proibição do comércio do açúcar com os holandeses, estes aproveitaram para invadir o Nordeste do Brasil, inicialmente a Bahia e posteriormente Pernambuco em 1630. Durante os dez anos seguintes, aconteceram combates pela posse da terra. E desde 1637, Maurício de Nassau, com grande eficiência, governava Pernambuco a serviço da Companhia das Índias Ocidentais. Nassau marcou presença em Pernambuco como bom administrador, tolerante, político, urbanista, comerciante e mecenas, acabou gastando muito para os olhos da Companhia das Índias Ocidentais, que não viam o porquê de uma administração exemplar. Os atritos eram inevitáveis. Nassau renunciou ao cargo em 1644.A junta de comerciantes que o substituiu não deu continuidade ao seu trabalho, devido à ambição. Aliado a esse fato, os senhores de engenho se encontravam endividados perante a Companhia das Índias Ocidentais fizeram com que as hostilidades se reacendessem.

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INSURREIÇÃO PERNAMBUCANA  (1645)  Explodiu a Insurreição Pernambucana de 1645 à 1654 com batalhas travadas no Monte dos Guararapes e a vitória Pernambucana. A expulsão dos Holandeses de Pernambuco em 1654 e os investimentos feitos na produção de açúcar das Antilhas, fizeram com que os pernambucanos perdessem o seu tradicional investidor, bem como o seguro mercado consumidor de seu produto. 

Em Olinda havia muito luxo, pedantismo e ostentação, mas o dinheiro andava escasso. Já em Recife os comerciantes eram pobres em tradição, porém ricos em dinheiro. Mas apesar de sua ascensão econômica, Recife ainda continuava submisso à Câmara Municipal de Olinda. A elevação de Recife à condição de vila, fruto da assinatura por D. João V de uma carta Régia assegurando-lhe essa emancipação, fez os ânimos se acirrarem entre olindenses e recifenses. 

GUERRA DOS MASCATES  (1710) 

As divergências quanto à fixação dos limites da nova vila foram muitas e culminaram com uma tentativa de assassinato do governador, que fugiu. Em novembro de 1710 os habitantes de Olinda invadiram Recife, ocupando-a e destruindo o pelourinho (monumento que simbolizava a criação do município). Durante a ocupação, Bernardo Vieira de Melo, líder da ocupação, propôs que Pernambuco se tornasse uma república. Foi a primeira vez que se falou em república no Brasil, o qual acabou se tornando 179 anos mais tarde. O poder foi entregue ao bispo de Olinda, D. Manuel Álvares, que manteve a região ligada à metrópole. Os revoltosos foram anistiados. Os conflitos não terminaram, pois os mascates (daí ser chamada de guerra dos mascates) voltaram à luta. Somente com a chegada do novo governador, em 1711, é que a luta terminou. Daí em diante Recife consolidou cada vez mais sua posição de destaque em relação à Olinda. 

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REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA (1817) 

Em 1817, durante o Império, fatores econômicos, políticos e sociais foram responsáveis pela Revolução Pernambucana. A crise na produção do açúcar e algodão, luta dos senhores rurais e homens livres contra o domínio comercial dos portugueses e para diminuir os preços dos gêneros de primeira necessidade que eles vendiam. O desejo de substituir a Monarquia Absoluta pela República, forma mais liberal de governo, já adotada nos Estados Unidos da América. As grandes desigualdades sociais e raciais existentes, que os revolucionários queriam eliminar. As idéias de liberdade e emancipação espalharam-se rapidamente pelas sociedades secretas, pelos quartéis, entre o clero, e cada vez mais pelo seio da população. O estopim da revolta foi a ordem de prisão dada pelo governador de Pernambuco aos principais suspeitos de liderar o movimento. Estava iniciada a revolução. Os revolucionários venceram as forças do governador e organizaram um governo provisório. Enviaram emissários para o exterior e capitanias do Nordeste, recebendo adesão da Paraíba, do Rio Grande do Norte e de Alagoas. Os revolucionários ainda venceram algumas lutas contra as forças militares, mas acabaram sendo vencidos, e seus principais líderes executados no Recife. A Revolução Pernambucana de 1817 conseguiu congregar religiosos, militares, intelectuais e populares em torno do ideal comum da emancipação política e do estabelecimento do governo republicano. No Nordeste, apesar da Independência, continuavam a existir os problemas econômicos e sociais contra os quais haviam lutado os revolucionários de 1817. 

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CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR (1824) 

Na revolução conhecida como Confederação do Equador de 1824, os antigos revolucionários e os proprietários de terras, apesar de divergirem em algumas idéias, continuaram lutando contra a ordem vigente, sendo mais uma vez derrotados. 

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REVOLUÇÃO PRAIEIRA (1848) 

O governo conservador que assumiu o poder em 1848, nomeou um presidente também conservador para Pernambuco, desgostando os liberais desta província, que se revoltaram. O movimento denominado Revolução Praeira, devido ao jornal liberal funcionar na rua da Praia, teve início em Olinda, marchando para o Recife. Os rebeldes não conseguiram tomar a cidade. Com menos de um ano, a rebelião foi derrotada. A anistia concedida pelo governo central em novembro de 1851 pôs fim ao movimento.

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